Atirar hoje, Matar Ontem – A História de Capitão Leite

LIVRO I
O Homem Que Caminhou Entre os Tempos
Prólogo
O Século do Conforto

Ninguém sabia exatamente quando a humanidade havia desistido da liberdade.

Não houve guerras grandiosas.
Não houve ditadores discursando em praças.
Houve apenas conforto.

A cada década, mais decisões eram tomadas por inteligências artificiais.
Mais emoções eram reguladas por algoritmos.
Mais conflitos eram eliminados antes mesmo de existirem.

A população agradecia.
O entretenimento era infinito.
A comida era abundante.
Os remédios eliminavam ansiedade.
Os relacionamentos eram mediadas por compatibilidade estatística.
Tudo funcionava.

E justamente por isso ninguém percebia a prisão.
A arte verdadeira foi a primeira vítima.
Poetas desapareceram.
Romancistas foram substituídos por geradores narrativos.
Músicos independentes tornaram-se ilegais.

A criatividade espontânea passou a ser classificada como instabilidade cognitiva.

A justificativa era sempre a mesma:
“Expressões emocionais não supervisionadas podem gerar desconforto coletivo.”

Foi então criado o Ministério do Conforto.
Seu símbolo era uma almofada branca cercada por uma auréola azul.

Seu lema:
“A paz nasce da ausência de perturbação.”
Acima dele existia uma entidade ainda mais poderosa.

A PIKA.
Private Information for Kòngzhì Agency.

Uma fusão entre inteligência estatal e corporativa.
Ninguém votava na PIKA.
Ninguém elegia a PIKA.
Mas todos obedeciam.

E no topo daquela pirâmide estava Stephanie Gland.
Linda.
Elegante.
Implacável.

Uma ex-influencer do início do século XXI que compreendera uma verdade simples:
As pessoas não desejam liberdade.
Desejam segurança.

Ela apenas lhes entregou exatamente aquilo que pediram.

PARTE I
O General das Terras Esquecidas

Muito longe das megacidades existiam territórios que não apareciam nos mapas.
As crianças aprendiam na escola que eles não existiam.
Chamavam-nos:
Os Fora do Mapa.

Era ali que estavam as minas.
As fábricas.
Os campos agrícolas.
Os trabalhadores invisíveis.
Toda a sujeira necessária para manter o conforto das cidades.

E foi ali que nasceu Andrej Prègas.
Filho de agricultores.
Neto de refugiados.
Leitor voraz de história proibida.

Quando jovem descobriu documentos antigos sobre Gandhi, Mandela, Zapata, Martin Luther King e Chico Mendes.

Percebeu algo.
Todos os impérios da história acreditaram ser eternos.
Nenhum foi.

A partir daquele momento iniciou uma revolução.
Não baseada em ódio.
Mas em consciência.

Prègas dizia:
— Um povo consciente é mais perigoso que um exército armado.

Durante quarenta anos unificou centenas de comunidades periféricas.
Construiu escolas clandestinas.
Bibliotecas subterrâneas.
Redes de comunicação independentes.
Era amado.
Temido.
Respeitado.

Até que Stephanie Gland decidiu agir.

A captura durou sete minutos.
A execução foi transmitida para toda a rede mundial.
Editada por IA.
Transformada em espetáculo.
O último discurso de Prègas foi removido.
O mundo jamais ouviu suas últimas palavras.
Mas alguém ouviu.
Capitão Leite.

PARTE II
O Capitão da P.O.R.R.A.

Leite era um dos oficiais mais respeitados da Polícia Ostensiva de Repressão e Reorganização Armada.
A P.O.R.R.A.

Homem brilhante.
Estratégico.
Disciplinado.
Jamais questionara ordens.
Até aquele dia.

Ao assistir a morte de Prègas, percebeu algo perturbador.
Os olhos do general não demonstravam medo.
Demonstravam compaixão por seus executores.

Aquilo o destruiu.
Durante meses não conseguiu dormir.
Até solicitar uma licença de exploração psicológica.
Uma prática rara permitida para oficiais de elite.

Partiu sozinho.
Sem destino.
Sem missão.
Sem uniforme.
Sem saber que jamais retornaria.

PARTE III
As Estradas do Mundo

Leite atravessou desertos.
Montanhas.
Ruínas.
Comunidades esquecidas.
Conheceu povos que viviam sem conexão digital.
Escutou músicos clandestinos.
Pintores.
Poetas.
Contadores de histórias.

Percebeu algo.
A arte era mais viva nos lugares mais pobres.
Porque a necessidade de expressão nasce do sofrimento.
A necessidade de ontestar
Nasce do desconfroto.
As cidades perfeitas não criavam artistas.
Criavam consumidores.

Em uma aldeia encontrou uma frase gravada em madeira:
“Aquilo que pode ser dito não é o Tao eterno.”
Aquilo o perseguiu por meses.

PARTE IV
O Homem de 256 Anos

Nas montanhas sagradas dos Fora do Mapa habitava um ancião.
Seu nome verdadeiro havia sido perdido.
Chamavam-no apenas: O Caminhante.

Diziam que tinha 256 anos.
Diziam que caminhava entre séculos.
Leite não acreditava.
Até encontrá-lo.

O velho o recebeu antes mesmo que falasse.

— Você demorou.
— Me conhece?
— Conhecerei.. quando você se conhecer.

Foi a primeira de muitas respostas impossíveis.
Durante anos viveram juntos.
O velho ensinou:
Lao Tsé.
Chuang Tsu.
Heráclito.
Aldous Huxley.
Os Upanishads.
O Tao Te Ching.
A Arte da Guerra.
Tudo.
Mas acima de tudo ensinou silêncio.

Dizia:
— A mente moderna pensa demais e vê de menos.

PARTE V
O Cogumelo da Montanha Invisível

Quando julgou seu discípulo preparado, levou-o até uma caverna.
Ali crescia um fungo azul-prateado.
Único no universo.

O velho disse:

— Este não expande a mente. Ele dissolve suas fronteiras.

Leite ingeriu.
E morreu.

Não fisicamente.
Mas interiormente.
Viu o nascimento das estrelas.
Viu civilizações surgirem.
Viu a consciência humana florescer.
Percebeu que o universo inteiro era uma única conversa consigo mesmo.

Quando despertou compreendeu algo:
Sabedoria sem ação é impotente.
Ação sem sabedoria é destruição.

Pela primeira vez tornou-se ambas.
Guerreiro e filósofo.
Estrategista e místico.

PARTE VI
O Erro dos Heróis

Ao retornar de sua experiência visionária, Leite acreditou poder derrotar a PIKA.

O velho riu.
— Então você aprendeu nada.
— Mas, sou capaz de atravessar o tempo.
— E daí?
— Eu posso mudar tudo.
— Sozinho?

Silêncio.

O velho respondeu:
— Heróis solitários são mitos criados para impedir que os povos percebam sua própria força.
A revolução sempre é coletiva.

Aquela frase tornou-se seu princípio.
Ele jamais esqueceria.

PARTE VII
O Músico da Prisão

Foi então que começou a viajar através do tempo.
Séculos.
Décadas.
Possibilidades.

Em uma dessas jornadas encontrou alguém familiar.
Um jovem músico.
Reconheceu-o imediatamente.

Décadas depois aquele homem seria um dos prisioneiros mais antigos do C.E.M.E.N.

Centro Educacional de Monitoramento da Expressão Negativa.

Leite o conhecera velho.
Agora estava diante dele jovem.
Livre.
Cheio de sonhos.
O rapaz tocava dub e reggae com amigos.

Músicas proibidas no futuro.
Músicas perigosas porque faziam pensar.

Leite tornou-se seu mentor temporário.
Jamais revelou sua origem.
Mas ensinou duas coisas.

A primeira:
— Nenhuma prisão é eterna.

A segunda:
— A arte atravessa muros que exércitos não atravessam.

PARTE VIII
O Jardim Impossível

Leite também ensinou ao jovem como cultivar o fungo sagrado.
Não diretamente.
Mas através de um método.

Criar ecossistemas ocultos.
Jardins vivos.
Sistemas simbióticos.
Ambientes capazes de sobreviver escondidos.

O plano era simples.
Quando o músico fosse preso décadas depois, uma falha estrutural ocorreria no C.E.M.E.N.
Uma infiltração causada por sistemas de reaproveitamento de água.

Ali o fungo encontraria condições perfeitas.
Décadas de preparação silenciosa.
Décadas.
Até o momento certo.
Quando o músico já fosse velho.
Quando a esperança parecesse morta.
Quando ninguém mais acreditasse.
O fungo surgiria.
Como uma mensagem do passado.
Como uma chave escondida dentro da própria prisão.

PARTE IX
A Mensagem

Antes de partir, Leite disse ao jovem:
— Um dia você também precisará viajar no tempo.
— Como?
— Pela única máquina temporal acessível aos homens.
— Qual?

Leite sorriu.

— A arte.

O rapaz não compreendeu.
Mas compreenderia.
Décadas depois.

Ao perceber que uma música pode atravessar gerações.
Pode alterar pensamentos.
Pode plantar ideias.
Pode mudar futuros.
Mesmo sem nunca mencionar política.

Epílogo
O Homem Que Ficou

Depois de incontáveis viagens temporais, Leite chegou a uma conclusão.

O futuro não deveria ser seu lar.
O futuro precisava morrer.
Escolheu permanecer no passado.
Observando.
Esperando.
Vivendo discretamente.

Décadas passaram.
Até que finalmente chegou a data que vira em inúmeras linhas temporais.

22 de agosto de 2026.

Uma noite aparentemente comum.
Um show aparentemente comum.
Três velhos músicos subindo ao palco.
Três homens que haviam escapado da prisão do futuro.
Três homens que carregavam a mensagem através do tempo.

Os Velhos do Dub.

Leite observou da multidão.
Sem aplausos.
Sem reconhecimento.
Sem glória.

Pois compreendera a última lição do Tao:

O sábio realiza sua obra e desaparece.
E enquanto os primeiros acordes ecoavam pela noite, ele sorriu.

O futuro finalmente começava a ser derrotado.
Não por exércitos.
Não por armas.
Mas pela única força que a PIKA jamais conseguiu compreender.

A imaginação humana.

Work hard, work smart

“Good actions give strength to ourselves and inspire good actions in others.”

— Plato

Sometimes the hardest part of finding success is gathering the courage to get started. As long as you’re learning, you’ll never really fail.

Sweet Success. Brilliant.

Having the proper mindset, moving outside your comfort zone, developing and maintaining healthy relationships, and staying focused have been key drivers of success for thousands of years.

Get inspired, get started

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Work Hard

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Work smart. Brilliant. Sweet Success.

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Success is earned, one step at a time. One of the most invaluable skills a person can have is being able to clearly express what they want. You have the courage that leads to success. As long as you’re learning, you’ll never fail. 

The most successful people don’t look back to see who’s watching.

“Our greatest glory is not in never falling, but in rising every time we fail.”

—Confucius

Look for opportunities to lift others up along the way. Having the proper mindset, moving outside your comfort zone, developing and maintaining healthy relationships, and staying focused have been key drivers of success for thousands of years.